O projeto nasce de uma demanda funcional dos clientes a partir de uma reorganização da lógica da edificação existente, uma casa de praia cujo programa original previa dormitórios apenas no piso superior. A necessidade de uma suíte térrea, mais acessível e integrada ao cotidiano do casal, abriu espaço para uma intervenção que reinterpreta a lógica do existente.
Para isso, optou-se pelo reuso adaptativo de um antigo galpão anexo à edificação existente, originalmente sem conexão interna com a casa. Para viabilizar a integração com o restante da residência e adequar o espaço às exigências do novo programa, foi realizada uma demolição parcial da preexistência, de forma a tornar o novo ambiente uma extensão natural da casa, e não um anexo
Para isso, optou-se pelo reuso adaptativo de um antigo galpão anexo à edificação existente, originalmente sem conexão interna com a casa. Para viabilizar a integração com o restante da residência e adequar o espaço às exigências do novo programa, foi realizada uma demolição parcial da preexistência, de forma a tornar o novo ambiente uma extensão natural da casa, e não um anexo
Na parte externa, o deck existente foi ampliado e coberto por uma estrutura em balanço de madeira, que reforça a transição entre o interno e o externo. A vegetação exuberante, com espécies de folhagem tropical, avança sobre a estrutura de madeira, integrando arquitetura e paisagismo.
No volume resultante, foram acomodados um dormitório com espaço de escritório integrado, um closet e um banheiro. O dormitório, peça central do projeto, tem como premissa principal a amplitude dos espaços internos e a relação direta com o jardim existente. A disposição do programa interno reforça essa intenção: o espaço de trabalho ocupa o fundo do ambiente, voltado para a generosa abertura que enquadra a vegetação densa do exterior. A luz natural atravessa o ambiente ao longo do dia, desenhando sombras sobre as superfícies de madeira e conferindo ao espaço uma qualidade espacial que varia com o passar das horas.
O closet é o espaço de transição entre o dormitório e o banheiro, assumindo também uma relação com o exterior. A abertura para o jardim acontece através de uma abertura em vidro com acabamento fosco, que preserva a privacidade com luminosidade difusa e a sensação de conexão com o ambiente externo. O banheiro segue raciocínio semelhante, mas com uma estratégia distinta: ao invés de novas aberturas diretas para o exterior, propõe-se a criação de um jardim interno, que funciona como mediador entre o existente e o novo. Esse recurso garante iluminação e ventilação permanentes ao ambiente, sem comprometer a privacidade.
Os materiais e acabamentos foram definidos a partir de um diálogo cuidadoso com a edificação existente. Não se buscou o contraste ou o destaque, mas sim uma releitura da linguagem já presente na casa, reinterpretada à luz das transformações que marcam este momento da vida dos clientes. A madeira, presente nas esquadrias, no deck, na cobertura e nas peças de mobiliário, atravessa os ambientes como fio condutor, conferindo unidade e calor ao conjunto. As superfícies claras e os volumes contidos ampliam a percepção de espaço e destacam a exuberância do jardim, que permanece como protagonista de toda a experiência da casa.